ORIGENS DO OVELHEIRO GAÚCHO

AS ORIGENS DO OVELHEIRO GAÚCHO

        Morro Redondo, 27 de julho de 2011

Após várias visitas a propriedades rurais, conversas com proprietários, capatazes e peões, observação de muitos cães Ovelheiros Gaúchos e Border Collies e dos hábitos de acasalamento dos Ovelheiros Gaúchos, chegamos a uma hipótese bastante provável sobre a origem do Ovelheiro.

            Nos parece bem evidente é que os cães da raça Border Collie não entraram na composição do Ovelheiro Gaúcho, uma vez que as primeiras importações desta raça foram realizadas na década de cinqüenta (1950), onde foram trazidos cães da Austrália juntamente com ovelhas da raça Merino Australiano para o município de Uruguaiana e posteriormente estes cães foram introduzidos em Pelotas (informação pessoal da pecuarista Sra. Anna Luiza Quinto di Cameli), onde examinamos um exemplar descendente destes cães, bem como um que havia sido cruzado com Ovelheiro Gaúcho. Sabemos também que houve outra importação de Border Collies para o município de Pelotas, mas já não havia na propriedade cães descendentes destes. A partir da década de 90, novos cães foram introduzidos e criações especializadas se estabeleceram sendo que atualmente existem muitos exemplares no Rio Grande do Sul.

            Sabemos com certeza que por volta de 1950 a raça dos Ovelheiros Gaúchos já estava fixada (Figura 1 e 2) apresentando variações já conhecidas agora. Os cães ovelheiros puros e bem alimentados são de porte grande, principalmente os machos, enquanto que todos os Border Collies que examinamos são de porte médio, também são comuns exemplares de pelo bastante curto, característica que nos Ovelheiros Gaúchos não é encontrada. Temos notado que as pessoas do campo que trabalham com cães, reconhecem as diferenças das duas raças e sempre que possível evitam o cruzamento das duas, pois reconhecem que tem temperamentos diferentes. Através de uma foto de 1921, gentilmente cedida pelo Sr. Erodes Armendaris Acosta, escritor e historiador, autor do livro   ”A Estancia Ovelheira”, podemos  verificar que o Ovelheiro Gaúcho é uma raça de origem muito antiga, provavelmente uma das mais antigas do Brasil, completamente independente do Border Collie (Figura 3).

            Outra conclusão que chegamos é que cães de pelo bem curto, tais como os lebreiros, veadeiros e outros que eram, nas estâncias, usados na caça, não entraram na composição do Ovelheiro Gaúcho, pois as cadelas Ovelheiras havendo disponibilidade de machos de sua raça evitam os cães de pelo curto correndo-os de perto. Podemos citar como exemplo uma propriedade que visitamos onde havia duas cadelas Ovelheiras com crias e uma lebreira, sendo que havia tanto um macho ovelheiro quanto um lebreiro. Todos os filhotes das cadelas ovelheiras eram caracteristicamente ovelheiros, enquanto que os filhos da lebreira tinham o pelo liso e coloração tigrada, o dono só não sabia quais eram de seu cão e quais eram de outro cão tigrado que tinha aparecido por lá e coberto a cadela (provavelmente um Fila Brasileiro, pela descrição feita). Outra vez, levando uma cadela Ovelheira para cruzar com um macho de outra propriedade, verificamos que a Ovelheira brincava e se oferecia aos machos Ovelheiros e a um Border Collie enquanto que mordia e escorraçava dois machos lebreiros que tentavam se aproximar. Também notamos que Ovelheiros quando acidentalmente cruzados com cães de pelo curto tem filhotes sempre de pelo curto no corpo, podendo às vezes se apresentar mais longo apenas na cauda e no pescoço, portanto deixam de apresentar características morfológicas típicas de Ovelheiro.

            Eliminados os Border Collies e os cães de pelo curto, temos ainda o Smooth Collie. Embora ainda não tenha provas conclusivas acho muito difícil esta raça ter contribuído, pois é completamente desconhecida na região que temos percorrido, conhecemos apenas um exemplar desta raça e era um cão de cidade.

            Restam-nos ainda duas raças que são mencionadas como contribuintes na formação do Ovelheiro Gaúcho. Uma é o Rough Collie ou Collie pelo longo ou simplesmente Collie, conhecido como “Coler” pelos campeiros e peões. O que apurei até o momento, é que uma raça de Collie mais antiga e que hoje se encontra extinta como tal em seu local de origem que era a Escócia e norte da Inglaterra, é que fez parte da composição do Ovelheiro Gaúcho. Esta raça era o Scotch Collie (Figuras 4 a 7), cão considerado de extrema inteligência e fidelidade ao dono, empregado no pastoreio de ovinos, bovinos e equinos, na guarda das propriedades e pessoas e algumas vezes na caça; era um cão dinâmico, pau para toda obra.

            A partir do Scotch Collie é que foram selecionados os Rough Collies, primeiro selecionando apenas os animais com um determinado comprimento de pelos e forma de orelhas, posteriormente com apenas determinadas colorações e formato de cabeça, a tal ponto que já em 1918 conhecedores da raça antiga, reclamavam da falta de cães com habilidade de trabalho e inteligência como os antigos. Até o momento não encontrei provas documentais da introdução de Scotch Collies no Rio Grande do Sul, mas é certo que eles foram introduzidos.

            Em 1883, realizou-se, no Uruguai, a primeira Exposição Nacional, onde das seis raças ovinas apresentadas quatro eram inglesas. Em 1884 o rebanho ovino no Uruguai alcançava 16 milhões de cabeças.  Na Argentina, em 1895 o rebanho ovino atingiu a cifra de 74 milhões de cabeças e muitos dos criadores eram colonos ingleses, escoceses e galeses.  A fronteira do Rio Grande do Sul com estes dois países sempre foi muito permeável a todo tipo de contrabando e comércio, o norte do Uruguai sempre foi habitado por um grande número de estancieiros brasileiros, muitos tinham propriedades dos dois lados da fronteira. Portanto nada mais comum, que cães pastores importados com as ovelhas, trazidos pelos tratadores das mesmas ou por colonos ingleses ou escoceses, fossem adotados pelos pecuaristas rio-grandenses.

            A importação de cães pastores juntamente com um rebanho é um fato comum e bem conhecido, tanto é que todos sabem que os primeiros cães da raça Border Collie foram introduzidos no Rio Grande do Sul (1950) juntamente com ovinos da raça Ideal. Tem-nos sido relatado que Ovelheiros Gaúchos introduzidos nos estados da São Paulo, Bahia e Mato Grosso quando da importação de ovelhas, gado de raça ou cavalos crioulos, ficaram famosos por seu modo de trabalhar, sendo lembrados até hoje pela sua excelência no pastoreio, mas infelizmente não deixaram descendentes, pois eram machos. A lembrança é tão boa que atualmente o Sr. Paulo Sampaio de Almeida Prado resolveu reintroduzi-los em sua propriedade em Itú, São Paulo.

            O Scotch Collie foi o cão pastor mais importante utilizado nos Estados Unidos. Ele foi introduzido por colonos escoceses e se tornou o cão preferido dos norte-americanos tanto na zona rural como na urbana, sendo considerado na época o cão da família. Por volta de 1930 esta situação começou a mudar, com o aumento do êxodo rural causado pela grande depressão e pela introdução de inúmeras raças européias consideradas mais bonitas e puras, ao ponto de em 1950 o Scotch Collie estar praticamente extinto nos Estados Unidos. Atualmente a Old-Time Scotch Collie Association tenta resgatar a raça que já foi a número um dos Estados Unidos, sendo que atualmente existem 65 cães registrados.

            Do Scotch Collie os Ovelheiros herdaram cores que não são encontradas no Collie atual, tais como preto e branco, branco com manchas pretas, amarelo e branco, além das cores tricolor, oveira (azul merle) e dourado (sable). Bem como vários formatos de orelhas, como o ereto, semi-ereto e em botão.

            Restava saber qual raça que inicialmente introduzida no Rio Grande do Sul através de cruzamentos posteriores deu origem ao Ovelheiro Gaúcho. Parecia-me uma tarefa impossível. A primeira referencia é de 1820 no relato de August de Saint-Hilaire (no livro Viagem ao Rio Grande do Sul), segundo o qual no município de Rio Grande, na localidade de Arroio das Cabeças, à cerca de 33 Km da cidade, na propriedade do Tenente Vieira eram usados os chamados cães ovelheiros (denominados assim segundo um tal de abade Casal), criados juntos com as ovelhas e responsáveis pela guarda do rebanho contra cães chimarrões e animais selvagens. Posteriormente, Hemetério José Velloso da Silveira, em seu livro As Missões Orientais e seus Antigos Domínios, narra que por volta de 1860 alguns criadores de cima da serra ainda se utilizavam de cães ovelheiros para guarda de rebanhos. Como saber que raça era esta? Uma raça já desenvolvida aqui mesmo? Pouco provável, pois até 1776 a cidade de Rio Grande encontrava-se invadida pelos espanhóis e os colonos haviam fugido para o norte do estado. Até este período a principal atividade na região ainda era a caça ao gado e não a sua criação. A partir de 1784, com o início da demarcação da fronteira entre Portugal e Espanha no Rio Grande do Sul, há um grande aumento na procura por terra e estabelecimento de sesmarias e estâncias. Com a paz, começa de fato a criação do gado em larga escala, sendo que logo após iniciam as plantações e a criação de ovelhas.

            Em espaço tão curto de tempo (36 anos), em uma região onde não se selecionava o gado vacum que era a principal atividade econômica, é improvável que os criadores se dedicassem a selecionar cães, para serem utilizados em uma atividade secundária como a criação de ovelhas. Sendo assim esses cães ovelheiros devem ter sido introduzidos e não uma raça produzida aqui. Mas qual raça? Parecia não haver solução e já não pensava mais nisso. Até que a minha esposa Élen, uma das pessoas que mais trabalha para a difusão dos Ovelheiros Gaúchos, estava folhando uma enciclopédia sobre cães e viu uma raça portuguesa que tinha um olhar muito semelhante aos Ovelheiros. Pesquisando na internet as imagens e sites da raça em Portugal, ela me chamou espantada, ali estavam várias características dos Ovelheiros Gaúchos que não encontrávamos nas outras raças, colorações diferentes das do Scotch Collie, cauda bem enroscada quando excitado ou trabalhando, a testa alta e o porte muito grande de muitos exemplares antigos de Ovelheiros que temos notícia e que atualmente encontramos muito raramente, o olhar e o formato dos olhos, a forma e posição das orelhas de vários exemplares, dimorfismo sexual referente ao tamanho e comprimento de pelos no pescoço (Figuras 8 a 17). A raça a que me refiro é a do Cão da Serra da Estrela, utilizada há séculos em Portugal para a guarda de rebanhos e proteção das propriedades.

            Ora em Portugal as pessoas que pastoreiam e entendem da criação e cuidados com as ovelhas são chamados “ovelheiros”, portanto me parece claro que o tal Abade Casal resolveu chamar também de ovelheiros os cães que foram trazidos de Portugal para cuidarem dos rebanhos ovinos no Rio Grande do Sul. Deve-se levar em conta que o termo “ovejero” também é usado na Argentina e no Chile para as pessoas que lidam com ovelhas, bem como aos cães que as acompanham neste serviço, não importando a raça dos mesmos. Devemos ter em vista que os cães desta raça ainda não tinham a denominação que tem agora, nem eram reconhecidos como tal, não apenas ela, mas a maioria das raças atuais de cães não era assim considerada.

            Assim sendo esperamos ter contribuído para o conhecimento da origem do Ovelheiro Gaúcho, compreendendo quais raças entraram na sua formação, bem como na compreensão da etimologia do nome Ovelheiro.

Dr. Eduardo José Ely e Silva e Dra. Élen Nunes Garcia

Criadores de Ovelheiro Gaúcho – Canil Reculuta

 

Figura 1: Fotografia de 1942 onde  aparecem Ovelheiros Gaúchos, tirada em uma propriedade no município de em Santa Vitória do Palmar. Esta foto é de familiares de Bruno Medeiros Donato e foi gentilmente cedida por ele.

Figura 2: Foto antiga de gaúcho com seus cães Ovelheiros, Ferraria, município de Dom Pedrito, por volta de 1950. Gentilmente  cedida por Eric Barreto.

Figura 3: Foto de 1921 do Sr. Pedro Silveira, na sua Estancia da Barra, Município de Santa Vitória do Palmar,  com seu casal de ovelheiros. Gentilmente cedida pelo historiador e escritor Sr. Erodes Armendaris Acosta.

Figuras 4,5 e 6: Imagens de Scotch Collies em ação pintadas por Richard Ansdell, artista britânico da segunda metade do século XIX.

Figura 7: Fotografia de Scotch Collie publicada na revista Poultry Topics and Western Poultry News, July 1907.

 Figura 8: Ovelheiro com orelha em pé tipo Scotch Collie.

Figura 9: Cão da Serra da Estrela, cabeça, olhar, olhos, orelhas e cor do corpo encontrados e muitos exemplares de Ovelheiro gaúcho.  Canil Cabeço do Seixo

Figura 10: Cão da Serra da Estrela com a posição enrroscada da cauda, também presente em Ovelheiro Gaúcho. Canil da Quinta de São Fernando

Figura 11: Perfil de Cão da Serra da Estrela também encontrado nos Ovelheiros. Canil Costa Oeste

Figura 12: Cão Ovelheiro na Universidade Federal de Pelotas, cabeça, olhos e inserção de orelhas semelhantes ao da Serra da Estrela.

 

Figura 13: Cadela Ovelheira com olhar, cabeça e orelhas semelhantes ao Cão da Serra da Estrela.

 Figura 14: Cão Ovelheiro com a cauda levantada e enrroscada como o Cão da Serra da Estrela.

Figura 15: Cabeça e conformação de um macho Ovelheiro Gaúcho.

Figura 16: Cabeça e conformação de uma fêmea de Ovelheiro Gaúcho.

filhotes

Figura 17: Filhote de Ovelheiro Gaúcho e de Cão da Serra da Estrela.

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16 thoughts on “ORIGENS DO OVELHEIRO GAÚCHO

  1. Oiii Elén!!!
    Aqui é a Ana Paula… estava lendo o teu artigo… e achei muito interessante a presença do 5º dedo!!
    O Pampa tem este dedo a mais!!! Achávamos que era um “defeitinho”!!!!

    Abraços!!

  2. Tu ja pensou em reintroduzir sangue de Caes da Serra da Estrela e Pastor Alemao em exemplares que tem muitos traços de Border Collie pra recuperar a tipicidade original do Ovelheiro? Talvez pegar os exemplares mais atipicos, cruzar com uma mistura de Pastor/Serra da Estrela, e depois cruzar de novo com bons exemplares de Ovelheiro?

    • Olá
      Primeiro gostaria de dizer que os cães atípicos não tem traços de Border Collie, que como já tenho dito não entrou na composição da raça. Os traços mais destoantes pertencem principalmente ao Scotch Collie, raça inglesa antiga que deu origem também ao Rough Collie e que se extinguiu. Não vejo nenhuma necessidade de realizar estes cruzamentos propostos, porque ainda se encontra muitas matrizes e padreadores excelentes, conforme pode ser visualizado uma amostra pequena na página Iconografia do Ovelheiro Gaúcho. Só é necessário realizar bons acasalamentos e uma boa seleção dos filhotes. É necessário realizar uma seleção forte não somente na morfologia dos exemplares, mas principalmente no comportamento que é o que é o primordial em um cão de serviço. Outro problema muito sério de realizar um cruzamento como o proposto, é que perderíamos no comportamento, que é muito mais difícil de selecionar e manter ou reverter que a morfologia, e que vem sendo selecionado por gerações de pecuaristas e campeiros, sendo que muitos dos cães que tem algum desvio morfológico, apresentam um ótimo comportamento, típico da raça.

      Abraços

      Eduardo José Ely e Silva

  3. ESTES CÃES SÃO BÁRBAROS. TODO GAÚCHO (METADE SUL DO ESTADO) TRÁS, DESDE SUA INFÂNCIA, O NOME OVELHEIRO MUITO PRESENTE, POIS SABE QUE SE TRATA DO CÃO TÍPICO DA NOSSA QUERÊNCIA AMADA. CONCORDO PRATICAMENTE COM TUDO DITO ACIMA. NUNCA TINHA PARADO PARA PENSAR NAS ORIGENS DO OVELHEIRO, MAS É IMPRESSIONANTE A SEMELHANÇA, ENTRE O CÃO DA SERRA DA ESTRELA E O OVELHEIRO GAÚCHO, PRINCIPALMENTE A CABEÇA VISTA DE PERFIL, O TIPO DE PELO, GROSSO, PORÉM NÃO MUITO LONGO, COMO O DO COLLIE PELO LONGO, ALÉM DE ALGUMAS CORES QUE SÓ SÃO ENCONTRADAS NESSA RAÇA PORTUGUESA. MAS AS SEMELHANÇAS PARAM POR AQUI, O SERRA DA ESTRELA É UM CÃO DE GUARDA DOS ANIMAIS, NÃO É UM CÃO PASTOR, NÃO ESPERE DELE O TRABALHO JUNTO COM O HUMANO, ELE NÃO VAI CONDUZIR OS ANIMAIS, ELE ACOMPANHARÁ OS ANIMAIS ONDE QUER QUE ESTES VÃO, APENAS ZELANDO POR SUA SEGURANÇA. É UM CÃO DE TAMANHO CONSIDERÁVEL. MOLOSSO DO TIPO MONTANHA. NO QUESITO TEMPERAMENTO E INTELIGÊNCIA, A HERANÇA VEM DESSA EXTINTA RAÇA ESCOCESA. SOU DE ITAQUI-RS, UMA DAS CIDADES MAIS FANÁTICAS PELA SEMANA FARROUPILHA, “CHAMA CRIOULA”, ESSAS COISAS E POR COINCIDÊNCIA UMA CADELA COM TRAÇOS TÍPICOS DOS OVELHEIROS APARECEU POR AQUI, PERDIDA, TODA SUJA, E AGORA É MAIS UMA INTEGRANTE DA MINHA FAMÍLIA. LINDA A BICHINHA, PARECE SER AINDA JOVEM, POIS AINDA É POSSÍVEL SENTIR UMA CERTA FRAGILIDADE EM SEUS OSSOS, TÍPICA DE CÃES JOVENS. VOU TIRAR UMA FOTO DA “BRISA” (SEU NOME) E MANDAREI PRA VOCÊS

  4. sergio santos , fico feliz em ver materias como essa , sempre gostei do ovelheiro meu pai tinha campo no interior de dom pedrito e sempre lidavamos com o gado e principalmente ovelhas com essa magnifica raça , eu pessoalmente tive um chamado lobo ele tirava o gado no mato sem morder era fantastico obrigado

  5. Excelente trabalho. O esforço e interesse precisa ser valorizado, parabéns.
    Somos de São Borja e estes cães sempre fizeram parte do nosso dia a dia ha muitas gerações, como Médico Veterinário quero fazer algumas considerações.
    Não podemos considerar “raça” animais com tantas variações e desuniformidade em seus padrões (como podemos ver nas fotos), é mais adequado considerarmos o ovelheiro como um “tipo” (obviamente a paixão e realizade não podem ser misturados nestas situações).
    Na campanha conhecemos estes tipos de ovelheiro…..o amarelo e o coleira branca (por algns também o barbudo – cão de gurda e pastoreio).
    Não existe geração expontânea, estes cães não brotaram nas coxilhas, acredito que o surgimento do ovelheiro gaúcho segue a mesma linha do cavalo crioulo…..existem registros da importação de cavalos hibéricos no século XVIII ou XIX? Obviamente a importação de cães não era vista desta forma em séculos passados, eles eram trazidos e não importados. Os ovelheiros do início do século tinham um perfil um pouco diferente do atual. Posso afirmar sem medo que aqui na campanha, os ovelheiros tem em sua composição border collie e collie…….se estas raças passam a influenciar antes ou depois de 1950, eu não sei, mas a a estrutura física, conformação, formato da cabeça, comportamento é extremamente semelhante…..ovelheiro coleira branca ao border e o amarelo ao collie.

    Um abraço a todos e mais uma vez, parabéns pelo trabalho que vem sendo desempenhado.

    • Olá Ricardo, é uma raça sim e se enquadra no conceito de Landrace e já está reconhecida pela CBKC. O Ovelheiro Gaúcho possui um mesmo padrão comportamental e de trabalho, e menos variação morfológica que o Border Collie. Se você der uma olhada e ler atentamente As origens do Ovelheiro Gaúcho, verá que a raça já estava formada antes da introdução do Border Collie. É claro que é necessário um certo conhecimento dos cães para reconhecer cruzas atuais com Collie Pelo Longo ou Border Collie, e é claro que há cruzas por ai, mas não chegam aos pés de Ovelheiros Gaúchos puros. Semelhança não é igualdade, um Buldogue Campeiro também é semelhante a um Buldogue Inglês ou a um Buldogue Americano, mas não são iguais. E quanto ao comportamento me parece que você não conhece bem Ovelheiro Gaúcho e o Border Collie pois são completamente diferentes no comportamento. Vejo que você se engana também quando menciona que os Ovelheiros Gaúchos são conhecidos como Barbudos, pois esta é outra raça gaúcha completamente diferente, usada principalmente para caça e guarda e também como boiadeiro. O cão Barbudo infelizmente caminha em passos largos para extinção pois não há nenhum programa em andamento para manutenção desta raça.

      Atenciosamente.

  6. Muitíssimo interessante e importante o trabalho de vocês ! Buscaram identificar esta ” raça ” tão adorada aqui no sul. Adorada e confusa. Sempre me perguntei sobre a raça, e a mistura de Scotch Collie é bastante evidente, mas sempre com o pelo mais curto, um tanto menos liso; e o focinho também mais curto e mais abaixo dos olhos, com olhos diferentes também. Tudo isso encontrado no Cão da Serra da Estrela. Encaixa perfeitamente. Não sei até que ponto pode-se considerar um ovelheiro gaúcho como puro. Hoje tenho um, porém ele tem traços de Pastor Alemão. Antes desse ( o Max ) tive uma Cadela ( Mônica ) e esta sim, se assemelhava muito mais ao Ovelheiro Gaúcho; completamente. Foi trazida da campanha gaúcha, sobre a referência de Collie Uruguaio. Enfim, fiquei bastante feliz ao saber deste canil que vocês mantém bem como pelas informações. Parabéns pelo trabalho.

    • Olá Eduardo Mrack

      Assim como em qualquer raça você vai encontrar alguns cães dentro do padrão e alguns fora, também vai encontrar cruzas, uma das mais comuns é com Pastor Alemão, mas também se acha com Pastor Belga, Border Collie e Rough Collie só para citar as mais comuns. O verdadeiro Ovelheiro é aquele que obedece ao padrão da raça tanto em morfologia como em comportamento, por a Associação dos Criadores de Ovelheiro Gaúcho só reconhece como verdadeiros Ovelheiros aqueles cães que passaram pela avaliação de algum dos seus técnicos. Sim no Uruguai existem muitos Ovelheiros geralmente conhecidos com a designação de Arrieros.

      Abraço

  7. Meu avô era fazendeiro e gostava muito de “perros”, como os chamava, ele tinha ovelheiros e dois cães que para mim seriam os mini pastores de Shetland e dois barbudos, que eu achava serem os Old English Sheepdog mas pelo que o senhor falou, estou enganado? Disse que os barbudos estão em extinção.

    • Olá Antonio Freitas

      Poderiam ser Pastores de Shetland ou poderiam ser Ovelheiros petiços, ocorre o gene de nanismo nos Ovelheiros dando cães de pernas bem curtas os chamados petiços, bem como também ocorrem os chamados pitocos que nascem de cola curta. Poderiam barbudos sim porque os Old English Sheepdogs são muito raros tanto no meio rural quanto no urbano, os cães barbudos são provavelmente oriundos de cães portugueses e açorianos de pastoreio e sim são cães que estão desaparecendo rapidamente do nosso meio rural, os motivos não sei dizer, mas os usuais são a substituição por outras raças estrangeiras, a excessiva consanguinidade e a diminuição dos estoques de cães.

    • Olá tanto fêmeas como machos custam 500,00, mas no momento não tenho nenhuma disponível, só um macho amarelo e branco muito bom e excelente para levar para campanha.

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